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Pastoral do Idoso

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Trabalho social na nossa paróquia

Em julho do ano de 2002, eu realizava meu primeiro encontro com treze senhoras numa pequenina sala do Centro Social João Paulo II, situado no Paranoá, uma das cidades satélites do Distrito Federal. Foi um começo tímido, uma reunião mais de apresentação propriamente. Era possível notar no semblante daquelas gentis senhoras um considerável desânimo. Algumas usavam bengala e, no geral, todas apresentavam certa lentidão ao se locomoverem. Pensei: “É da idade, é normal!” Desse contato inicial resultou-me muitas indagações: por que eu estaria ali? E o que realmente eu poderia fazer por aquelas pessoas? Do que elas gostavam e o que esperavam de mim? Terminei aquela primeira reunião muito pensativa e decidi conversar francamente com Deus, pois é assim que sempre reajo: abro meu coração para Deus, com a forte confiança que, no momento certo, vou receber a resposta do que devo e preciso fazer. Sempre acreditei que Deus conversa com todos nós, usando sinais, mensagens, recados... E mais, que os manda por meio de pessoas que lhe dedicam muito amor e que lhe servem como Ele ensinou. Foi então que Cleomar, uma especial filha falou-me: “Zezé, essas senhoras precisam mesmo é de se alegrarem, de cantar, de sentir que estão bem vivas”. Cleomar é de verdade uma fiel amiga que há vinte e dois anos dedica-se a ensinar trabalhos manuais às jovens senhoras, também do Paranoá. Entendi, assim, o recado e parti para organizar-me. Deus escolheu-me! E padre José foi o seu intermediário, um homem solidário e bom que hoje presta valorosos serviços lá no céu. E foi assim que por meio de Cleomar o aviso chegou até mim. Confesso que numa boa hora, porque hoje sou aposentada e estou disponível.

Pouco a pouco fui conhecendo as necessidades, as vontades, as preocupações e os sonhos que alimentavam o espírito daquelas queridas senhoras: os filhos distantes, e se próximos, desempregados ou separados e causando preocupações; os netos por vezes indiferentes aos estudos; o dinheiro curto e despesas do mês para pagar, sem falar dos remédios, indispensáveis à saúde. Fui também observando no corpo cansado, entorpecido que aquelas irmãs apresentavam absoluta falta de movimentos adequados e preventivos. Foi quando, intuída mais uma vez, iniciei um leve trabalho de posições de alongamento. Como um milagre, os efeitos foram aparecendo: as bengalas substituídas por um andar mais firme, equilibrado. Divertiam-se com as próprias dificuldades na execução dos movimentos, mas ao final, saíam sempre mais alegres e dispostas. “Não faltaremos”, afirmavam aquelas irmãs, pois até o sono lhes havia melhorado.

Hoje, passados cinco anos dessa enriquecedora convivência, surpreende-me as transformações ocorridas: de treze passamos para cento e vinte e cinco animadas e encantadoras senhoras. Mais confiantes, mais informadas e preparadas para uma convivência familiar e seus inevitáveis problemas. Falamos e discutimos abertamente sobre tudo o que diz respeito à uma boa alimentação, às formas de higiene, ao indispensável consumo de água. Praticamos a meditação, um momento lindo para se falar da paz, do amor, do perdão, dos anjos e da saúde. Fazemos viagens com a mente e elas aprendem a relaxar. Muitas adormecem e o resultado é compensador. Temos auxiliares, ofertados também, como bom presente de Deus, que de bem perto acompanham, amorosamente, tudo. Vale lembrar também da presença de profissionais e grandes colaboradores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que ministraram palestras preventivas e importantes.

O Centro Social João Paulo II passa por uma demorada reforma. Acolheu-nos, cordialmente, desde março, um jovem Padre da Paróquia Santa Maria dos Pobres. O salão paroquial é bem mayor, por isso não compromete o aumento das atividades e do grupo. Já iniciamos a formação de um coral que fará sucesso, pois tudo que fazemos dá certo!

Eis um pouco da história de vida daquelas que movimentam a cidade do Paranoá. Venham, com o melhor dos sentimentos, todas às quartas-feiras, a partir das 14h30min presenciar um encontro feliz, de gente pura e de espírito leve! A Igreja é linda, mesmo em construção! Os Padres e os seus funcionários, mais ainda!!!

(este artigo eu o dedico à Cleomar, Mirna, Ana, Fafá, Nadiana e Lucimar, os anjos amigos que nos apóiam)

Zezé Delgado / Paróquia

ZAP | Z4p