Em 1996, Amaury (surdo) ensinou LIBRAS para Cleomasina, Márcia e Sâmara. Esses jovens começaram na Paróquia Santa Maria (Paranoá) a Missa interpretada, sempre às 19h dos Domingos. Muitos ficavam do lado de fora da Igreja, pois não havia espaço físico e pouco preparo das três jovens intérpretes.
Com a construção do salão paroquial pelo Pe. Rafael, as Missas passaram a ser celebrados lá. Duas intérpretes desistiram do serviço. Cleomasina continuou. A questão do espaço físico persistia. As pessoas acomodavam-se à frente do Santíssimo ou da casinha do dízimo. Os surdos que participavam lembram as dificuldades em interpretar com os braços e cotovelos juntos às costelas. Muitas vezes as pessoas ficavam sem comungar por conta de não conseguirem se aproximar dos ministros.
Houve um tempo em que os surdos ficaram sem interpretação. Sua única intérprete estava com problemas pessoais. Mas em 2001, quando o Pe. Irineu estava à frente da Paróquia, às Missas voltaram a ser interpretadas. Quando não havia cadeiras suficientes, os surdos e Cleomasina sentavam-se no chão, fazendo um círculo.
Em 2003, os surdos pediram à Cleomasina para conversar com o Padre a respeito da necessidade de haver na Missa um banco e a presença da intérprete na frente, mas, devido a alguns problemas na Paróquia e mais o estado de saúde do Pe. Irineu, esta conversa não aconteceu.
Em 2004, o Pe. Alessander foi enviado como administrador paroquial e tomou conhecimento da existência dos surdos pelo Pe. Chacon (que já visitou o Instituto Nossa Senhora do Brasil – INOSEB – por ocasião da festa junina e dos muitos atendimentos em confissão dos surdos) e pelo Conselho Pastoral Paroquial. A partir do dia 9 de janeiro de 2005 foi reservado um banco, com a intérprete na frente dos surdos. Há um ano esse trabalho desenvolve-se para melhor atender à comunidade surda do Paranoá. Este ano, os surdos resolverem mudar o horário da Missa para às 8h, aos domingos, para que os moradores surdos do Itapoã possam participar também da Santa Missa. Mas não é só isso: com o esforço e dedicação do Pe. José Angel, a comunidade surda pode se confessar em LIBRAS, sem precisar se deslocar até o INOSEB.
Este ano a Campanha da Fraternidade tem como tema “fraternidade e pessoas com deficiência” e o lema “Levanta-te, vem para o meio!”, cujo objetivo é o conhecimento da realidade das pessoas com alguma deficiência, também refletir a sua situação para promover a dignidade e seus direitos junto à sociedade, pois as pessoas com deficiência sempre estiveram ao nosso redor e são ignoradas.
A CF, em nenhum momento, propõe que tenhamos pena dessas pessoas, mas sim a conscientização da situação dos nossos irmãos que são postos à margem do convívio social.
Sou intérprete desde 1996 e amiga de pessoas com deficiência auditiva. Digo que ser intérprete católica é servir na vida dos surdos. “Pois, qual é o maior: o que está à mesa, ou aquele que serve? Não é aquele que está à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve!” (Cf. Lc 22,27) Então, já que Cristo se fez servo por nós, é preciso servir ao irmão excluído.
Cleomasina Stuart Sanção Silva Mendonça


